DOOKAS – Por: Massanao Ueno Sensei

Tradução realizada por nossa aluna, Dirce Kobayashi.

INFORMATIVO TAKEMUSSU NO. 1- POEMA SOBRE O CAMINHO

” A imagem deste belo universo

é uma grande família criada pelo Senhor”

Aprendendo com o Dooka, de autoria do Fundador do Aikidô, Mestre Morihei Ueshiba, escolhendo um poema de cada vez. Espero que possa servir de alguma ajuda para os alunos que queiram aprender o espírito para qual está direcionado o Aikidô.

Neste número selecionei: “Utsukishiki kono ametsuti no misugata wa,

Nushi no tsukurishi ikka narikeri”

( A imagem deste belo universo

é uma grande família criada pelo Senhor)

Ametsuti: Céu e Terra, Universo, Natureza

Nushi: Senhor, Deus, Criador, Ser Central

O significado é exatamente conforme está escrito.

Ueno Sensei explicando os “Dookas” para o prof. Marcelo Silva (Japão – 1995)
O-Sensei (Mestre Morihei Ueshiba) afirmou que “a vida humana existe quando o Eu e o Universo se torna Um”. E disse também: “O conflito na terra já é do passado; o mundo inteiro é um grande lar, não existe nenhum estranho, todos são membros da família. O universo é a minifestação dos propósitos do Criador. Este mundo iluminado, mundo de realizações, tudo é expressão de Deus.

Em suma, harmonizar o mundo e cooperar na construção de um paraíso terrestre, este é o principal objetivo do Aikidô. Então vamos ser fraternos? Assim sendo não existe inimigo”

São palavras que brotaram naturalmente de uma visão sólida da vida, do mundo e do universo embasada na firmeza da fé.

O Professor Sato. que me proporcionou a oportunidade de iniciar o treino de Aikidô, disse uma vez que o Aikidô é a representação do Xintoísmo e, forma de arte marcial.

O professor Sato era ligado ao Fundador – Ô Sensei – por estreito laço de amizade por ser o companheiro do caminho.

Este Dooka enuncia a visão do mundo e do universo Nipônico, fundada na mitologia sobre a criação do mundo. É o poema ditado pela convicção religiosa, que torna possível a paz mundial, cuja a concretização, Ô Sensei buscou através do Aikidô

O xintoísmo observa este mundo e afirma que todas as coisas têm a mesma origem, e concebe que é”Tchuushin-bunpa-fuji-ittai” (corpo único derivado de uma origem central, ou seja, tanto a árvore quanto os frutos são uma única e indivisível entidade). Sendo assim, é possível voltar e tornar-se uno com a oriem central de Deus, e este é exatamente o objetivo do treinamento do Aikidô. Todas as coisas, toda a natureza são criação de Deus.

tudo é gerado pela dinâmica fecunda dos Deuses, dando continuidade a relação pais e filhos: Ame-no-minaka-nushi-no-kami=Takami-mussubi-no-kami=Kami-mussubi-no-kami=Umashi-ashikabi-hikoji-no-kami=Ame-no-tokotachi-no-kami/kuni-no-tokotachi-no-kami=Izanagui-no-mikoto/Izanami-no-mikoto.

A imagem deste universo é uma grande família que descende de um único Pai.

Todas as coisas estão no seu devido lugar, não havendo nada desnecessária, unidas no espírito de grande harmonia.

Trata-se de Dooka que proclama solenemente a tônica principal de treinamento do Aikidô, ou seja, a realidade relativa do homem físico alcançado o estado absoluto, pela compreensão de ação de vida do Pai criador.

Uma outra pessoa diz que, se despir o homem até o limite, o que resta é o amor passional e o espírito de luta. Tanto a paixão como a luta são legítimas, como meios de preservação da espécie e de desenvolvimento. No entando, por outro lado, são muitos os casos de elas serem as causas das desgraças maiores. A luta decorre da identificação do inimigo, e esse inimigo tem sentimento hostil contra mim, mas, se eu não defender meu ego, isto é, inexistindo em mim o ego, não têm como existir o inimigo.

“O universo vem de um só respiro, todas as coisas têm a mesma origem” . Se compreender que todas as coisas do universo foram originadas de um único sopro, deve enxergar que eu e o meu semelhante temos a mesma origem.

E só podemos afirmar que há verdadeira paz, se todas as pessoas se conscientizarem deste fato inquebrantável.

Shizuoka, Junho de 1995.

Massanao Ueno

Responsável pelo Dojô

BOLETIM INFORMATIVO TAKEMUSSU no. 2

Traduzido por Dirce Kobayashi

Shizuoka Asama Jinja Aikidô Takemussu Dojô

7o. ano da Era Heisei – Outubro de 1995

” Takemussu se une com o sopro do Pai Divino e sua ação é a dinâmica criativa do Mussubi”

Os poemas e as palavras de uma pessoa que alcançou o nível mais elevado do caminho são simplesmenste grandiosos, livres de quaisquer artifícios ou ostentações com a intenção de se transmitir propositalmente uma mensagem, por isso emanam uma pureza refrescante que lavam a nossa alma.

Relendo o Dooka do O-Sensei, lembro-me do novo dojô da cidade de Wakamatsu.

Estávamos descansando após o treino da noite, quando entrou O-Sensei, bem humorado:

“Vieram crianças do Jingu para treinar? – e todo sorridente – Vem cá com o vovô, vêm cá”… – e os ensinou com exclusividade.

A memória recente nítida, transcendendo o tempo e espaço, como se O-Sensei estivesse aqui presente…

neste número, o poema escolhido é:

“Takemussu Wa Mioya no iki ni aiki shite

sono itonami wa kimi no kamiwaza”

(Takemussu se une com o sopro do Pai Divino e sua ação é a dinâmica criativa do mussubi)

- Mioya: Pai Creador, Deus

- Iki: Sopro primordial, Yin/Yang,fonte de vida, força essencial da criação, espaço e tempo

- Aiki: Mussubi, união, fusão, junção

- Kimi: Deus Izanagui e Deusa Izanami

- Kimi no Kamiwaza: Mussubi, a ação do poder de dar a forma

O-Sensei nos ensina que: “Takemussu Aiki nasceu com a dinâmica da essência que cria todos os princípios do espírito e do corpo e se completa, de acordo com a criação do universo consumada por Deus Izanagui e IZanami”.

Ao se explicar sobre o Aikidô, diz ele que é uma expressão marcial do xintoísmo. Desde os tempos remotos, o nosso país ( Japão ) valoriza a marcialidade, e sem limitar à técnica, soma o conceito de caminho, constituindo uma cultura única chamada Budô.

Um dos quatro maiores eruditos da literatura clássica japonesa, Atsutane Hirata, afirma no seu livro -Kodou Taii – , que: ” O povo deste país, por definição, nasce destemido, correto e reto, e a isto se denomina espírito de Yamato”.

Mototsune Nakamura, explica na sua obra – Shooburon – , que: “O nosso país é o país de bravura, é de natureza Bushidô, e não toma nada emprestado do confucionismo, nem do budismo, é o caminho natural nosso”.

Este caminho natural é o caminho de Deus.

Nas três relíquias imperiais, além do espelho e da jóia, há a espada ( Kataná ). A espada divina de Kusanagui representa a purificação. O aprimoramento das técnicas marciais visa utilizar as técnicas que levam as pessoas à morte para dar a vida às pessoas.

Para nós a arte marcial deve ser a purificação do ser humano. O objetivo do treinamento está em harmonizar o espírito e o corpo, ou seja, unir o seu próprio Ki com o Ki do Céu e da Terra, em harmonia com as leis do universo, com o caminho de Deus.

E para cultivar a sabedoria e a prática necessária para este fim, existe o Takemussu Aiki.

Diz O-Sensei: ” O caminho significa tornar-se uno com a dinâmica de Deus e cumprir, efetivamente, a Sua vontade, assim como o sangue circula pelo corpo. O menor desvio da vontade de Deus já é desvio do caminho…”

Takemussu Aikidô é um treinamento em termos marciais ( o corpo ) e em termos espirituais para reconhecer e compreender que você está ligado de modo indivisível com a dinâmica de Deus Pai Criador. Nada é forçado. É ensinado para ser verdadeiramente sincero.

Massanao Ueno

Responsável pelo Dojô

BOLETIM INFORMATIVO TAKEMUSSU no. 3

2o. SEMINÁRIO DE MISSOGI (Traduzido Por Dirce Kobayashi)

Santuario Asama Jinja de Shizuoka

Aikidô Takemussu Dojô 8o. Ano da Era Heisei ( Maio de 1996)

25 de fevereiro (1996) foi realizado o 2o. Seminário do Takemussu Dojô no pavilhão do Santuário de Asama, sob a direção do responsável pelo Dojô.

” Seja como for, se nada fizer, nada se realizará, se tudo fizer, tudo se realizará; realizar ou não só depende de você.

Tendo os Deuses do Céu e da Terra como testemunhas, formulo e construo minhas técnicas”

Estes poemas são de autoria de Bonji Kawatsura. o revitalizador do Missogi.

Transbordam os sentimentos profundos com relação a este caminho, descrito assim por Ô-Sensei:

“- O meu caminho é o caminho de Deus, por todas as eras será transmitido, e de uma geração a outra… não têm como não despertar o espírito das pessoas que desejam trilhar este caminho.”

Dizem que o fundador do Aikidô – Morihei Ueshiba e o Sensei Kawatsura – mantinham um estreito laço de amizade.

O exercício – Torifune – que se faz antes do treino vem do ritual “Ame-no-torifune”…

APRENDENDO COM O DOOKA ( Poema sobre o caminho)

O mais difícil para o ser humano deve ser o controle sobre os seus desejos, isso, provavelmente só vai ser possível por meio de uma força religiosa.

E então, vencer ou perder na vida contra as onze paixões negativas?

O caminho de sobrevivência do homem atual, cuja a cultura é baseada na satisfação de seus desejos pessoais, é revelar a sua natureza espiritual e encontrar uma forma de conter o seu desejo através de auto-controle.

A questão é como manifestar a certeza de que você é o protagonista, ao mesmo tempo em que vivencia a unicidade de toda a criação e a união do seu corpo e espírito com a energia perene do Céu e da Terra (KI).

O ser humano é parte integrante da natureza e não têm como fugir das suas leis. O mundo material está em mutação constante e a sua essência e a energia.

No homem também. a sua essência é a energia.

O Aikidô é um dos caminhos para se compreender e experienciar este fato, unindo-se ao universo.

Segundo o fundador, Mestre Morihei Ueshiba, “- Aikidô é Budô e é Religião”

Convém refletir melhor a respeito.

O poema escolhido para este número foi:

” Amenotsuti ni kemussubi nashite naka ni tati

kokoro ga mae wa yamabiko no miti”

” Unindo-se o Ki do Céu e da Terra e estando no centro, a postura interior é o eco da montanha.”

“Mussubi” expressa a visão do mundo na antiguidade japonesa. Também, o espírito nipônico é representado por “Wa” ( harmonia ).

Interpretando “Ai” do Aikidô como “Ai” de “amor”, o Fundador promoveu uma revolução na visão tradicional com relação à Arte Marcial.

Percebe-se que esta visão é fruto da concepção de “Mussubi” na Formação e Desenvolvimento, que foi solidificando com o aprofundamento doutrinário, baseado na prática e na pesquisa das obras clássicas como “Kojiki” e as cerimônias xintoístas.

A segiur as palavras de Ô-Sensei:

- “Aiki é harmonizar-se com o KI (respiração) do Céu e da Terra (universo);

“Ai” (união, junção) de Aiki é “amor”. Aikidô é o caminho da harmonia;

Vivenciar o que tudo que acontece no univerdo está dentro de mim – eis o verdadeiro Budô.”

É bom ouvir o poema declamado em voz alta. Pode-se apreciá-lo mais profundamente.

Massanao Ueno – Responsável pelo Dojô – 1996

INFORMATIVO TAKEMUSSU NO. 4

Santuário de Asama de Shizuoka
Aikidô Takemussu Dojô
8o. ano da Era Heisei, Dezembro

Texto traduzido por Dirce Kobayashi

O TREINO DEVE SER DIVERTIDO E PRAZEROSO

O Nosso dojô têm 140 metros quadrados, têm aulas três vezes por semana sendo que as segundas e quintas-feiras treinam crianças e estudantes em geral.

Ao observar as crianças, a individualidade delas é tão original e única que nos surpreende. Muitas vezes nós é que aprendemos delas.

Percebem-se nitidamente as características de cada fase de desenvolvimento: Infantil, juvenil e adulto, na maneira de encarar o treino.

Se quiser se desenvolver rapidamente nesta arte, a postura do treino é, em primeiro lugar, seguir com sinceridade, humildade e seguir fielmente os ensinamentos do instrutor.

A tendência é, após dois, três anos, com o aumento dos novatos, o aluno se envaidecer, tornar-se arrogante, e inconscientemente acabar expondo o seu lado vil e desprezível no treino.

O treino de Aikidô se faz em duplas, Uke e Tori, praticando repetidas vezes a mesma técnica. Tanto os iniciantes como os mais antigos repetem incansável e exaustivamente as técnicas básicas, como se os dez anos fossem um dia só.

No entanto, ainda que a tècnica seja a mesma, entre a faixa branca e outro preta, há diferença colossal, abismal, na percepção do conteúdo.

O treino por hábito não faz o aluno progredir, mesmo que ele continue anos a fio. E se chegar a vangloriar-se do número de técnicas que aprendeu, está acabado.

Sendo esta arte, Budô, têm que se tornar forte. Por isso, exige-se sempre o treino sério, sem mostrar aberturas, cultivando o espírito inabalável de não se assustar com nada. Assim sendo, às vezes o treino tende a ser sofrido, doloroso.

Entretando, é importante que o treino seja divertido e prazeroso. O treino do ponto de vista físico, promove saúde e, em tempos atuais, combate o estresse e no aspecto de forjar a firmeza de caráter, é o caminho que desenvolve a coragem e a verdadeira sinceridade, ensinando a lealdade, integridade, retidão e a civilidade.

Em Budô, vencer não significa tão somente alcançar a vitória no campo de batalha, mas também, superar todas as dificuldades na vida cotidiana. Daí naturalmente surge a conscientização da ética, do espírito de cooperação, e o Dojô se torna um local de formação e aprimoramento do cartáter.

Nosso objetivo é ser um Dojô que cultiva o espírito do Budô, através do treino, que possa ser continuado com alegria e entusiasmo pelas crianças, jovens e adultos.

Massanao Ueno

Responsável pelo Dojô – 1996

DOOKA – Aprendendo com o Dooka n.4

” A obra divina do Ki, missogui que leva paz à alma…

Ó Deuses do Céu e da Terra

Mostrem-nos o caminho”

Os termos não são difíceis. Missogui é praticado desde a era do Deuses até hoje, como ritual para purificar o corpo e levar a paz à alma.

Vide o poema do boletim Takemussu no. 2:

” Takemussu wa Mioya ni iki aiki shite

sono itonami wa kimi no kamiwaza”

O tema principal deste número é o Missogui, que segundo a lenda, foi iniciado pelo Deus Izanagui.

O Mestre Morihei Ueshiba, afirmou que as técnicas de Aiki vêm de Deus, e mostrou de forma clara que a”execução das técnicas equivale ao Missogui”. Em combate, se desviar sua atenção para o que não é sua missão, será derrotado com certeza. O Deus Izanagui, ao voltar ao mundo do mortos, realizou Missogui e gerou vários deuses.

Aprender a executar estas obras divinas é Budô. Sem consideram a história primitiva, desde a era dos deuses, não se pode praticar Aiki”.

Cada um de nóstêm os pais. E essea também têm seus respectivos pais. Todos nós nascemos dos pais. retrocedendo assim, geração por geração, deve se chegar ao nosso ancestral. No Japão diz-se que o nosso ancestral é Deus. Na escritura “Kojiki” é citado Ame-no-Minakanushi-no-Kami , que é o venerado como o primeiro Deus.. Ele é quem geraou não só o homem, mas todas as coisas do universo. Nove gerações depois, nasceram o Deus Izanagui e a Deusa Izanami e geraram outros Deuses e paises.

Esse processo é concebido no xintoísmo como “ato de dar à luz”, e no cirstianismo diz-se “criar”.

Se pensar que tanto o homem como todas as coisas do universo foram criadas por Deus, as coisas criadas e o Criador são iguais. E entre as criaturas também não há ligação que une as respectivas vidas, estando separadas uma das outras.

Entretando, baseando-se na idéia que tanto o homem como todas as coisas do universo nasceram de Deus, tudo é filho de Deus, inclusive o homem e a continuidade da vida,e da mesma maneira os filhos que crescem e tornam-se pais, todo mundo é Deus. E os que nasceram são irmãos e irmãs.

Os Deuses do Céu entregaram a Izanami e Izanagui o “Ame-no-nuboko” ( a lança celestial ) para que levassem ordem à terra caótica: ” Formem e governem o país mergulhado em caos” . E os dois Deuses geraram o universo e os deuses das montanhas, dos rios, das terras, do mar, e por último, ao dar a luz o deus do fogo, a Deusa Izanami faleceu devido a queimadura.

Izanagui ficou muito triste. No esntanto, etregando-se ao desespero e a saudade, não se pode cumprir a missão. Então Izanagui realizou Missogui-harai em Tsukushi-no-Himuka ( atual Fukuoka ).

Purificando o Corpo e a alma, foi gerando novos deuses. Ao lavar o olho esquero, nasceu Amaterasu, Ao lavar o olho direito, a Deusa Tsukiyomi. E ao lavar o nariz, gerou o Deus Susanoo.

Izanagui ficou muito contente: ” Foram inúmeros filhos que gerei,mas por fim, tive estes três nobres filhos”.

Até gerar a Deusa Amaterasu, alvo principal da veneração, Izanagui e Izanami, enfrentaram muitas dificuldades e sofrimentos.

Para se cumprir a missão, devotar-se com toda a siceridade e oferecer tudo, inclusive o corpo e a alma – eis o ensinamento da era dos Deuses.

Se não purificar a alma, não se dedicar ao treinamento e envida todos os esforços, não nasce nada de bom.

As técnicas Aiki são as técnicas recebidas de Deus, este é o ensinamento do Fundador. Ele colocou isso na prática e afirmou: ” Aikidô é a técnica de Missogui”.

O homem não é só o espírito, nem é apenas o corpo. ele só poderá realizar o verdadeiro trabalho através da ação conjunta do espírito e do corpo.

A isso o Mestre se referiu como: ” O corpo humano é o templo vivo de Deus”.

” Ó Deus do Céu e da Terra

Mostre-nos o caminho”

É possível visualizar a postura de oração em profunda humildade.

Na sede central da Takemussu-Kai, existe uma caligradia deste poema, escrito pelo próprio punho de Ô-Sensei.

Massanao Ueno

Responsável pelo Dojô – 1996

BOLETIM INOFRMATIVO TAKEMUSSU NO. 5

Santuário de Asama de Shizuoka

Aikidô Takemussu Dojô

9o. ano da Era Heisei – Traduzido por Dice Kobayashi

APRENDENDO COM O DOOKA

No começo de fevereiro, tive a alegria de encontrar o livro “Kodo Joron” do meu professor M. Sato, num sebo onde passei por acaso de volta de uma reunião. Era a edição do 12o. da era Showa.

Ao lê-lo, avivaram as emoções intensas da época em que recebia diretamente sua orientação.

No livro é apresentada uma teoria que o som “S” representa a função de gerar as coisas. Lembrei-me imediatamente de que O-Sensei uma vez disse que o som “Su” é a origem de tudas as coisas, e de que Aikisurgiu deste som “Su”.

Certo dia a esposa do Suzuki Sensei, presidente da Takemussu Kai, ensinou-me as palavras que o fundador recitava antes da oração: ” A-Su-Saratan-hihi-muna” ( peço desculpas se houver falha na minha memória ). Acho que deve ser um mantra.

Sobre Kotodama, pode-se encontrar muitas referências nos livros de Aikidô. É bom fazer uma pesquisa.

Selecionamos para este número, o seguinte poema:

“Mesmo que vários inimigos ataquem você, lute como se fossem um”

As pessoas pensam que podem controlar o seu Kokoro (mente, espírito, alma e coração), mas não é tão fácil assim.

No Budô, ensina-se: “Não estagne seu Kokoro, mantenha a harmonia, não perca o centro, cultive a visão do todo” (.)

Você pode pensar que é capaz de controlá-lo livremente, mas se você se prender a uma única coisa, por menor que seja ela, aí entra num beco sem saída, se atormenta por coisas insignificantes, perde a liberdade do Kokoro e sofre. Kokoro é algo estranho: 1% pode dominar os 99% restantes.

Dizem que estamos em uma época instável, em que as pessoas perderam o centro e se apegam a partes, e seu Kokoro anda agitado e inquieto. É essa uma das razões pela qual se treina Aikidô. Contudo, não é fácil manter-se centrado no treino.

O significado do poema é literal.

Vamos aqui citar alguns trechos que se relacionam com o poema, da obra “Fudou chishin-Myouruku”, em que o monge Takuan explica a unicidade da espada e Zen para Yagyu Tajima, instrutor de esgrima do Xogum Tokugawa.

” Quando um adversário levanta a espada para atacar você e, se ao ver essa espada você pensar: – Ah!, ele vai me atacar – ficará preso a espada e não conseguirá se movimentar livremente, sendo certamente cortado. A isso se diz que seu Kokoro ficou parado num lugar. Ou seja, se você ficar preso a algo, por menor que seja, será cortado. Se não se prender a nada e reagir de acordo com a espada do adversário, aí sim, poderá dominá-lo”.

Exemplificando, se dez adversários o atacarem, cada um com sua respectiva espada, e você fizer oUkênagashi (desviar de forma fluida), sem se prender a nenhuma, você pode enfrentar perfeitamente todos os dez”.

Na obra “Tengu Gueijutsu-hon” está escrito: ” Se não amadurecer a técnica, o Ki não se harmoniza: se o Ki não se harmonizar, a forma não acompanha: Kokoro e forma se separam e não se consegue agir livremente”

O homem é um animal. Não consegue ficar imóvel. No cotidiano, há muitas coisas que prendem a atenção, mas se o seu Kokoro não se mover, permanecendo livre do desejo e do ego, irá se tornar grandioso e impávido”.

Rodeado por inimigos, combate ferozmente, e o Ki, sem apego, nem à vida, nem à morte, e não se perturba por causa do número de inimigos – a isso diz-se: “Mover-se sem se mover…(.)”

Com o treino desenvolvem-se as técnicas, e o Ki e o corpo vão poder agir livremente. No entanto, se o Ki e o corpo estiverem separados, não há técnica.

É preciso entrar centrado com o corpo e o Kokoro em harmonia. Os ensimentos são os mesmos do monge Takuan.

Na prática, “não se prender”, “não se fixar”, significa, por exemplo, ser capaz de reconhecer os próprios erros.

É preciso libertar o seu Kokoro.. Aferrar-se ao ego, ao oruglho e tentar se enganar ou se justificar, já indica estar preso.

No mundo da arte marcial isso significa MORTE.

Segundo o poema de Ueshiba Sensei:

- Os inimigos escondidos em ti, corta-os com o kiai “Ei”

com “Iá” reúne todos e conduze-os com “Iei”…

Orientar levando a correção e retidão a negatividade perversa, transformando o demônio em Deus.

Em Missogui, há um ritual que levanta sobre sua cabeça dois dedos da mão direita representando a espada, cortando para baixo com kiai “ie” e “ei”, ao erguer, em voz alta, concentrando corpo e mente.

Vamos treinar com afinco, sentindo o espírito do Dooka.

Massanao Ueno – Responsável pelo Dojô – 1997

O QUE SE DEVE TER EM MENTE

Texto traduzido por Dirce Kobayashi.

Do final de junho até início de agosto, vieram do Brasil seis membros para o treino e Gasshuku. Ficaram hospedados mais de 40 dias no Santuário e se dedicaram ao treino de Aikidô. Sendo o Brasil um país basicamente formado por imigrantes, eles eram de diversas descendências: Alemã, italiana, turca, etc…

A mais jovem era a Erica Nakagawa, uma estudante nikkei.

O Marcelo, descendente de italianos, vinha pela segunda vez. Ele é professor de educação física e ensina Aikidô a crianças pré escolares.

Lembro-me de que, há muito tempo, um imigrante de idade avançada que travei conhecimento (ele era naturalizado), comentou, com um ar de tristeza e ao mesmo tempo com certo orgulho, que o imigrante é o “eterno errante”.

A cultura, a língua, religião, alimentação e outros hábitos e costumes não podem ser abandonados em 5, 10, 20 anos. O sofrimento em viver longe da cultura do país onde nasceu e cresceu, embora dependa da idade, está além da imaginação. É ali que vai ser sua eterna morada…

A cultura peculiar do Japão, em suma, é ter como centro o Imperador e como coluna-mestra da vida espiritual, o Xintoísmo. Aqui nasci e sou vivificado. Os japoneses de hoje estão esquecendo deste fato. Por isso, para as crianças, gostaria de oferecer ativamente, a oportunidade de ter como contato a cultura tradicional do Japão. Os homens da atualidade não têm o direito de alterar, sem mais nem menos, ao sabor da convivência do momento, tudo de valioso que é transmitido até hoje.

A vida humana é viver, pensar dentro da continuidade de passado, presente e futuro, e não destacar só o presente, não só o agora. Eu estou aqui carregando o passado em um continuum para o futuro. A isso se diz ” Nakaima”.

A tradição nipônica foi transmitida através das vivências dos precursores que se empenharam em caminhar e viver o “Nakaima”. O seu fundamento está na relação de pais e filhos, família, tendo como centro, a vida.

O homem é o ser que nasce, vive e é viveficado dentro da cultura, tradição e história. Está embutida aí, a inevitável idéia da morte. No entanto, viver “Nakaima” significa apenas vida, a vida em si, a ponto de nem mesmo admitir o fator tempo na relação de pais e filhos.

Os brasileiros vieram de tão distante para o Japão, e dedicaram-se ao treino do Budô, a cultura distinta do nosso país e voltaram a sua terra ensinando com paixão o que aprenderam aqui.

Algo peculiar do Japão se torna universal…

O treino diário começa e termina com a reverência ao Kamidana. Em gasshuku, embora eles fossem católicos, reverenciavam o altar xintoísta, de manhã e à noite, sem questionamento, tentando descobrir no ato de “Missogui” a santidade do Budô.

O Budô não é competitivo como esporte, mas sim, busca o centro do coração, envidando todos os esforços para se aproximar do sagrado.

Bem na verdade foram eles, os brasileiros, que nos ensinaram que não devemos nos esquecer de Deus.

É muito triste o modo de viver dos jovens de hoje, para os quais só existe o agora…

Faço votos que cada um dos filhos deste dojô se desperte espiritualmente e cresça sincero e com entusiasmo, neste ambiente abençoado de santuário de Asama.

Massanao Ueno

Responsável pelo Dojô – Dezembro de 1997

BOLETIM INFORMATIVO TAKEMUSSU NO. 6

APRENDENDO COM OS DOOKAS

Traduzido por Dirce Kobayashi.

Santuário de Asama Jinja de Shizuoka

Aikidô Takemussu Dojô

9o. Ano da Era Heisei – Dezembro de 1997.

No Gasshuku de verão que a Takemussu Dojô realiza todos os anos, recitamos Kyooiku Tchokugo (Édito Imperial sobre a Educação), poemas do imperador Meiji e dooka do fundador do Aikidô, mestre Morihei Ueshiba, no total de dez poemas, na ocasião da reverência matutina e noturna. Estas páginas começaram baseadas nas perguntas e respostas durante a palestra dessa época. Sendo este o sexto poema, restam apenas quatro.

“Aiki é a força que une todas as coisas.

Adestrem-se sem esmorecer, ó aspirantes do caminho!”

“Aiki to wa wagou no chikara nari

Tayamazu migate miti no hitobito”

Segundo as palavras de Ô-Sensei: ” Takemussu é a força de Mussubi”.

Chikara: 1 espírito, 3 princípios e 8 forças.

- 1Espírito, refere-se ao Naohi do Xintoísmo. É o espírito central ligado ao grande espírito original (Espírito Divino).

- 4 Almas são: Nigui-mitama, kushi-mitama, Sati-mitama e Ara-mitama, respectivamente as almas de harmonia, diferença, felicidade e turbulência. São vários aspectos das ações da alma, da mente e da intenção.

- 3 Princípios são: Gou, Jyu e Ryu, respectivamente, força, suavidade e fluidez.

- 8 Forças são as manifestações da força: Movimento, repouso, liberação, compreensão, atração, relaxamento, união e divisão.

Ô-Sensei disse que o Aikidô é a bússola que conduz à paz mundial, e o papel do Aiki é servir. A bússola aponta a direção que leva ao local de destino. Então, por que ele disse que o Aikidô é a bússola que norteia o rumo à paz mundial?

De que maneira aproveitar o efeito das forças Chikara para fazer combinar todas as coisas do universo e criar um mundo de harmonia?

Lembem-se do diálogo entre Ô-sensei e Minoru Mochizuki sensei:

- Qual a fonte da força que une todas as coisas? Por que pode funcionar como uma bússola?

Descobrir isso é umas das tarefas do praticante do Aikidô (Michi no Hitobito).

Será que ele se referia em termos de vitória e derrota, argumentando que o Aikidô possui técnicas invensíveis? Não.

Em quaisquer confrontos, seja contra um único oponente, seja contra muitos, mesmo armados, Ô-Sensei prega o espírito da inexistência do inimigo, ou seja, aquele que vence sem lutar… ” Ser a bússola para paz mundial”… não está ligado à conquista da vitória de uma luta.

O verdadeiro Budô não é lutar e matar, mas sim, trata-se de um processo de gerar e criar todas as coisas…(.) O universo é vasto. A sua verade também é vasta e infinita. Da mesma forma, a vida humana não têm começo nem fim, vive permeando o passado, o presente e o futuro.

Será que a resposta não está na afirmação: ” Aikidô é a expressão do Xintoísmo em forma de Budô?

O Xintoísmo é a cultura peculiar que o povo japonês transmitiu desde a pré-história. O espírito nipônico que os japoneses de hoje estão esquecendo, está claramente descrito na mitologia do nosso país.

Aikidô é reconhecer a diferença entre conceito nipônico de vida que, através da mitologia, transmite a continuidade da vida na relação Pai-Filho, e a idéia da individualidade, que abandona a continuidade da vida, separando Pai-Filho, e isolando vidas… “Eu e o Pai somos “UM”" para os cristãos. É a relação Mestre-Discípulo.

Aikidô é expressar tudo isso nas técnicas marcias.

Aquilo que se chama de “ideologia da vida” é a filosofia que aceita como verdade a relação Pai-filho de transmissão da vida, de desenvolvimento com a continuidade da vida.

Vivenciar esta ideologia é o Takemussu Aikidô.

Massanao Ueno

Responsável pelo Dojô – Dez/1997

BOLETIM INFORMATIVO TAKEMUSSU No. 7

SANTUÁRIO ASAMA DE SHIZUOKA

AIKIDO TAKEMUSSU AIKIDÔ

10o. ANO DA ERA HEISEI – JUNHO 1998

Traduzido por Dirce Kobayashi.

APRENDENDO COM O DOOKA – Parte 1

O mestre Morihei Ueshiba, fundador do Aikidô, menciona como primeiro princípio do budô: “Considera-se o aperfeiçoamento contínuo e incessante do espírito e do corpo, a ação cotidiana da busca de caminho pelo homem”… e colocou este princípio na prática abrindo o caminho do Aiki. Ele compreendeu a indissociabilidade de todas as coisas do Universo que têm a mesma raiz e pregou a “União do Ki entre o Homem e o Universo”.

Este Universo é o mundo em harmonia em termos de dinâmica, conforme demonstra a ciência natural de hoje. Independentemente do tamanho, desde o átomo, a molécula até o ovimento dos orbes celestes, inclusive os reinos minerais, vegetais e animais do planeta Terra, são constituídos pelo equilíbio das forças opostas e além disso, é uma grande dinâmica do infinito em múltiplas camadas, sobrepostas da menor para a maior.

Ainda, a relação de equilíbrio dessas forças não se limita ao equilíbrio fixo, mas é um mundo de dinâmica que se ondula em busca do equilíbio, e que se muda infinitamente.

existe aí a Lei soberana apontada pela ciência natural, de que, todas as coisas, desde as partículas elementares, vibram de acordo com essa lei, podendo ser dito que formam circuitos de energia em fluxo.

Há portanto, a grande e majestosa harmonia no universo, que não é o mundo da morte, mas sim, o mundo da Vida, o mundo do ritmo em harmonia, denominado “a Vida do Universo”.

O nosso corpo também é uma dinâmica gerada pela esta mesma lei, um corpo que vibra ritmicamente, dentro da dinâmica do universo. Assim sendo, o ritmo do nosso corpo reage e entra em ressonância com o ritmo do Grande Universo, e respondendo mutuamente o “eu” e o Universo, interagindo, haverá a percepção da unicidade do “eu” e o ambiente. è a compreensão de que toda a criação, a natureza, que é meu ambiente, é a extensão da minha vida, e por outro lado, o meu corpo é uma manifestação da vida do Universo. Neste momento se descortina o mundo espiritual, e percebe o pulsar da vida e o palpitar da beleza em uma árvore, uma grama, uma pedra… E, sobretudo no relacionamento humano, sente-se o elo da vida visceral, anterior ao confronto, surgindo daí o amor e a confiança fraternal.

A morte denota a volta deste corpo físico à matéria, à natureza, mas também o retorno à grande harmonia do Universo, não significando em hipótese alguma, perder-se no mundo das trevas. Portanto a morte não deve ser temida, ao contrário, é o portal de entrada para a eternidade.

Massanao Ueno

Responsável pelo Dojô – Junho de 1998.

BOLETIM INFORMATIVO TAKEMUSSU NO. 8

Santuário de Asama de Shizuoka

Aikidô Takemussu Dojô

10o. ano da Era Heisei, Dezembro de 1998.

Traduzido por Dirce Kobayashi

APRENDENDO COM O DOOKA

Em quaisquer modalidades de esportes ou artes marciais, se houver luta entre um forte e outro fraco, é óbvio que o forte será o vencedor.

Podemos afirmar que as técnicas marciais foram criadas como um recurso para que o mais fraco possa enfrentar o mais forte. Entretanto, se o forte e o fraco treinarem da mesma forma, sem sombra de dúvida, o fraco não terá chance. Assim sendo, sempre se buscou a arte da defesa que permite também a participação de crianças e mulheres, consideradas frágeis.

O Aikidô tem como origem o Daito-Ryu Aikijujutsu, praticado pelo feudo Aizu, e que foi fundado por Shinra Saburo Yoshimitsu.

Ô-Sensei, seguidor do Xintoísmo, além de aprender Daito-Ryu com o mestre Takeda Sokaku, estudou, Kito-Ryu, Yagyu-Ryu, Shinkague-Ryu, e baseando-se em suas experiências próprias, alcançou um novo nível de compreensão: Proclamou que o Aikidô é a técnica de Missogui, ou seja, o Aikidô é uma prática do Xintoísmo.

Esta é a razão pelo qual o Aikidô é considerado como uma expressão do Xintoísmo na forma de Budô.

A finalidade última de Ô-Sensei foi criar algo que transforme o conceito corrente do Budô.

Embora as técnicas marciais tenham surgido como um mero instrumento pare atender à lei do mais forte, -”ao vencedor, as batatas”… – acabou gerando a arte da não-resistência, que expressa os princípios do universo, física e espiritualmente.

Antes de começar o treino, sentamos em seiza diante do altar e lemos os Dookas repetidas vezes, em voz alta. Misteriosamente, a mente se acalma. É o breve momento agradável.

“Tataetemo tatae tsukusenu samuhara no

Aiki no mitchi wa Odo no kamiwaza”

” Por mais que louve, não é suficiente as técnicas divinas de Odo

são o supremo caminho de Aiki”

Samuhara: Louvor à suprema virtude.

Odo no Kamiwaza: Na idade mitológica, o Deus Izanagui purificou-se nas águas de Odo as impurezas trazidas do reino Yomi ( local das almas dos mortos). Desde a antiguidade, acredita-se que o Missogui purifica toda a sorte de pecados e impurezas, energias e pensamentos negativos.

Significa assim, que o Aikidô é o caminho nobre para voltar ao mundo reto, puro, claro, ou seja, o mundo verdadeiro, eliminando as impurezas.

Ueshiba Sensei disse:

“…o caminho do Aiki é o caminho das defesa do amor. Sem o amor, não existe este mundo. Portando, acredito que este mundo será destruído, se não houver a veradadeira ação do Aiki.

É por isso que devemos proteger este mundo, os três reinos: o visível, o invisível e o divino.

Avançar em nome de Deus, purificando a si mesmo, purificando o país, o universo… é aí que começa o veradeiro papel do Aikidô. Não conheço nenhum outro método para reconstruir este mundo fora o Aikidô.

Através do Budô, adentramos no verdadeiro caminho, com o fim de servir a humanidade, trazendo-lhe a paz e protegendo-a da destruição. esta realização faz parte da relação do Deus Supremo.

Aikidô é o caminho da verdadeira sinceridade. A sinceridade é o caminho da devoção. A devoção é servir para a construção do paraíso terrestre. Para seguir este caminho, primeiramente deve-se atingir a perfeição de si. Precisa melhorar e levar à perfeição do país, a humanidade, o planeta Terra…”

Ô-Sensei ensina que é preciso começar com a auto-purificação. Eliminar a energia e o pensamento impuro de si é o primeiro passo para se alcançar o reino da verdadeira sinceridade.

Sendo Aikidô a prática do Missogui, aquele que trilha este caminho deve se dedicar ao treinamento de corpo e alma.

Assim está escrito.

“As técnicas de Aiki,

que defendem o caminho de Deus, Buda, Cristo Jesus e desde mundo,

são os princípios da espada Kusanagui”

Massanao Ueno – Responsável pelo Dojô – 1998

BOLETIM INFORMATIVO TAKEMUSSU No.9

SANTUÁRIO DE ASAMA DE SHIZUOKA

AIKIDÔ TAKEMUSSU DOJÔ – 11o. DA ERA HEISEI, DEZEMBRO

Traduzido por Dirce Kobayashi.

Aprendendo com o Dooka – 9

Ultimamente tenho me lembrado amiúde de certas palavras. Acho que já faz uns 27 anos. Houve uma palestra no templo Kofuku, em Mukougaoka, com limitado número de participantes. O palestrante o Prof. Ko Ran Sei ( Chefe do departamento Jurídico do governo comunista Chinês, na época asilado no Japão, já falecido).

Segundo minha memória o conteúdo da palestra foi mais ou menos assim:

” A origem do japão é o Xintoísmo. A fonte da rica criatividade dos japoneses é a ligação à Takamonahara. Se o japonês se esquecer da mitologia de Takamonahara, irá esgotar a fonte da criatividade e , com certeza, virá a decadência.

Se forem abandonadas, no Japão, a cerimônia de oração no Santuário de Ise, e na China, a celebração de culto, sem sombra de dúvida, estes povos irão desaparecer”…

E, em seguida fez o seguinte comentário com relação ao homem moderno:

” Reverenciar a Deus não significa que ele vai ficar inteligente. É a pessoa inteligente que reverencia a Deus(.)”

O poema escolhido para este número é:

” A mão direita estando em Yang

e a mão esquerda voltada em Yin, conduza a pessoa à sua frente”

(Migui wo ba yo ni arawashi

hidari te wa in ni kaeshite)

O Aikidô têm como base “Han-mi no Kamae”. Meio passo à frente do lado esquerdo temos “hirari han-mi”, e do lado direito “migui han-mi”.

Kendô começa com migui han-mi no kamae e tai jutsu com hidari han-mi no kamae. De acordo com o ensinamento, o ângulo dos pés define a vida e a morte do hidari han-mi.

Corrigindo o ashi sabaki, imediatamente pode-se enfrentar o adversário que está a sua frente.

Com este poema, o Fundador revela o segredo da técnica Han-mi. A interpretação do Yin e do Yang e Centro é a característica de ô Sensei.

Explicou o seguinte, na sua palestra sobre a criação:

” A Mulher é a matéria, o espírito o Homem e a criação do mundo se deu tendo como centro o pé direito da deusa Kuni no Tokotate… e o primeiro passo na descida do céu se deu com o pé esquerdo, sendo este o céu e o direito a terra… este é o estilo de construção do santuário de “Ubusu” (Geração), do Takemussu Aiki.

O deslocamento do ponto gera a linha.

A reta, é a menor distância entre dois pontos.

kan é um ponto, e Ko, dois pontos alinhados.

Yang que é um gera yin que é dois.

Vive-se do um para dois.

embora exista esta progressão de um para dois , a coisa é exponencial.

No I Ching, o Livro das Mutações, existe o conceito Céu, Terra e Homem.

O céu é Yang, o um, a Terra é Yin, o dois e o homem é o três que gera as coisas do universo. Os 64 trigramas e os 384 Ko, constituem a interpretação do Universo.

Quem gera recebendo a matéria e o espírito é a mulher – centro de todas as coisas.

O Homem, o espírito, muda infinitamente e não se fixa num ponto. Por outro lado a mulher, a matéria constitui a base imóvel da geração, o centro de todas as coisas.

Os princípios metafísicos nipônicos são formados em conformidade coma ordem de geração descrita na mitologia da criação do universo. Aquele que nasceu neste país ( O Japão) deve sempre renovar em si este conceito e cumprir a missão de aprimoramento e perfeição – este é o ensinamento de Ô Sensei -

Para tanto, é preciso confirmar seu próprio papel. No relacionamento assumimos vários papeis nas funções de pai, marido, professor, etc… Não se restringe a um único papel. Ao eliminar de si o ego e a ambição, a pessoa se conscientiza do Eu uno ao Centro.

“Massagatsu Agatsu” significa cumprir seu papel em plenitude. Vencer a si mesmo.

Voltar-se ao espírito de agradecimento e retribuição aos antepassados e treinar-se para seguir o caminho correto – Eis o Takemussu Aikidô revelado pelo fundador Morihei Ueshiba.

Massanao Ueno

Responsável pelo Dojô – 1999

BOLETIM INFORMATIVO TAKEMUSSU No. 11

SANTUÁRIO ASAMA DE SHIZUOKA

AIKIDÔ TAKEMUSSU DOJÔ

13o. ANO DA ERA HEISEI, JANEIRO DE 2001

Traduzido por Dirce Kobayashi

Aprendendo com o Dooka

No Aikidô não há técnicas de ataque, baseando-se na visão sobre a arte marcial do Mestre Morihei Ueshiba, o Fundador.

Aiki, segundo o Fundador, “não se trata de uma técnica de lutar e derrotar o inimigo, mas, sim, de harmonizar o mundo e fazer com que a humanidade seja uma só família”…

Portanto, o Aikidô visa alcançar uma espiritualidade elevada através do treino das técnicas de defesa.

Na realidade as técnicas do Aikidô podem machucar ou até mesmo matar o adversário, no entanto, esses comportamentos destrutivos são proibidos.

No 13o. ano da era Showa, foi publicado o livro “Budô”, o único do próprio ao qual o próprio fundador explica as técnicas, ilustrando com uma série de fotos. A seguir, gostaria de citar o primeiro trecho do texto introdutório. Espero que saboreiem a leitura para melhor compreender os princípios filosóficos do Aikidô.

DOBUN – Texto sobre o Caminho

” Considero o Budô o caminho de Deus, aberto por Deus, o caminho do espírito de criação e domínio do universo infinito e absoluto, verdadeiro, bom e belo.

Através das oportunidades proporcionadas pelo treino, deve-se enxergar as leis do universo.

A técnica revela a essência da água e do fogo, representa um caminho do universo e do espírito divino, e a sua arte mostra o verdadeiro uso do Kotodama, os princípios que norteiam todas as coisas do Universo, harmonizando e unificando o céu, a terra, Deus e o homem.

A sua virtude se torna luz e calor, formando a espada divina do Aiki universal, que, no momento oportuno, corta a energia impura e elimina os demônios, purificando e embelezando o mundo.

Por isso, com a visão correta pode-se dominar livremente o céu, a terra, a primavera, verão, outono e inverno, ouve novamente e revê o pensamento, a conduta e a fala de todas as coisas do universo e purifica e corrige para o bem e belo, bem como se manifesta igualmente à espada que harmoniza o céu, a terra e o homem a aperfeiçoar a si mesmo livremente”.

Vejamos neste número o seguinte poema:

” Aiki é a fonte do poder do amor

e o amor deverá prosperar cada vez mais…”

Conforme mencionamos no Takemussu Aiki No. 8, o Fundador disse:

“…o caminho do Aiki é o caminho da defesa do Amor. Sem Amor, não existe este mundo. Portanto, acredito que este mundo será destruído, se não houver a verdadeira ação do Aiki.

Aiki é o caminho que têm a missão de trazer a ordem ao mundo caótico, posicionando-se no centro do universo.

Avançar em nome de Deus, purificando a si mesmo, o país, o universo…

Todas as coisas da terra são a manifestação do Amor do Universo, de modo que, unificar e harmonizar tudo é a vontade do Universo. esta missão deve ser cumprida por cada um de nós. Realizar o espírito do Universo da verdadeira harmonia – o caminho do Aikidô.

As técnicas devem estar de acordo com a verdade do Universo. Aquela que não compartilha com a verdade do universo, volta para si e destrói o seu corpo. Ela não pode se unir ao Universo, portanto não é a técnica Takemussu.

A técnica que se une ao universo, une também os homens com graça e amor. E esta técnica que se une ao Universose denomina Takemussu.

Aiki é o caminho da harmonia, a manifestação da verdadeira imagem da imensa unicidade de toda a humanidade e o universo, ou seja, o centro do universo é uno e seu movimento se manifesta como a obra que constrói o mundo.

O Universo é uma família, e eliminando a briga, o conflito, a guerra, este mundo é o mundo sublime de amor, uma revelação de amor do único criador.

Sem amor desmorona-se o país, o mundo, o Universo.

Do amor surge o calor, e o Aikidô coloca isso em ação.”

O Fundador, através da prática de várias artes marciais, compreendeu o princípio que transcende a arte marcial baseada na força, e criou o Aikidô.

Ele descreve o seu estado de espírito no momento dessa compreensão da seguinte maneira:

“Ao compreender que a essência do Budô é o Amor de Deus – o espírito de proteção por amor a todas as coisas do universo – as lágrimas de alegria excelsa e de êxtase rolaram sem parar…desde então passei a sentir que todo o planeta Terra é o meu lar, o sol, a lua , as estrelas, tudo…pertence a mim, e desapareceu por completo o apego à posição, à fama, à riqueza, e até mesmo a obsessão de me tornar forte…”

O espírito sem o inimigo – eis o espírito do Fundador que culminou na criação do Aikidô.

O poema selecionado para este número resume bem essas palavras do Fundador e constitui o objetivo do nosso treino cotidiano.

Gostaria que vocês lembrassem dos dez Dookas que vimos até hoje como inspiração e estímulo para o treino.

Massanao Ueno

Responsável pelo Dojô – Janeiro de 2001.