FILOSOFIA TAKEMUSSU AIKIDÔ

Massanao Ueno sensei e prof. Marcelo Silva em perfeita sincronia, perfeito Mussubi...

Massanao Ueno Sensei e Prof. Marcelo Silva em perfeita harmonia, perfeito mussubi... -- Shizuoka Sengenjinja - Takemussu Aikidô Dojô - 1995 -

O Mestre é o Pai… Ensina, repreende, acompanha, aconselha, orienta… O Discípulo é o filho… observa, reconhece, respeita, obedece, admira e segue… O caminho, o exemplo, o que, com grande amor e dedicação deixou…

No Budô, a relação das pessoas é baseada na hierarquia. O respeito com os mais velhos e mais experientes é o que ainda preserva a essência do Budô. O Mestre por sua vez, reconhece a fundo cada um de seus alunos (Deshi) empenhando-se em dar a cada um em particular o ensinamento necessário para sua compreensão e desenvolvimento. Essa integração é uma união perfeita, é que no Aikidô chamamos de Mussubi.

Shihan Prof. Marcelo Tadeu Fernandes Silva

A PRIMEIRA JORNADA DE UM SAMURAI

Rodrigo Silveira Sensei embarca hoje para o país do sol nascente…

Lembro-me de minha primeira viagem a “Terra dos Samurais” e de infinitas experiências que vivi…

Um renascimento de vida e valores, facilitado pelo meu mestre Massanao Ueno…

O cheiro dos templos, até hoje invadem minha casa quando próximo estão notícias a chegarem de amigos que deixei do outro lado do mundo…

Algo que um fato só é capaz de explicar: O Sentir…

Desejo a você meu querido aluno e amigo, que todas as sensações e aprendizado que tive nas diversas viagens ao Japão, nesta sua, única e inesquecivel jornada, tenha tudo o que possa a vir contribuir para o seu Budô… Que Deus lhe acompanhe…

Shihan Marcelo Silva

São Paulo, 2 de Julho de 2009.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES – 1a. parte – Por: Rodrigo Silveira

Relato do nosso querido Rodrigo Sensei nas primeiras horas no país do Sol Nascente. Texo revisado pela nossa querida aluna, advogada e escritora Cintya Nunes Vieira da Silva.

Ueno Sensei, me disse um dia que eu era uma “ponte” que ligava os famílias do Takemussu do Brasil com a do Japão. Neste dia ví a responsabilidade de receber esta missão e principalmente compreender que o Aikidô é algo que se deve transmitir sem economia de energia…

Meu aluno e amigo, hoje no Japão, refaz a viagem que um dia tive a oportunidade, de vivenciar e realizar uma lenda pessoal. Nestas fotos representou nosso dojô em Shizuoka encontrando-se com os Kaichôs, Shihans – Ozawa sensei, Mori Sensei e Shiratori Sensei, em treino e apresentação, sempre acompanhado pela foto de nosso saudoso e querido Mestre Massanao Ueno Sensei.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES – PARTE 2 – Por: Sensei Rodrigo Silveira

Texto revisado por Cinthya V. da Silva

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A FAIXA VERDE – Por: Cinthya Nunes Vieira da Silva

Texto escrito por nossa querida aluna, Cinthya Nunes V. da Silva , já percebendo a magnitude do Budô… Não há chegada, mas apenas o caminho…

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O ESPÍRITO DE SHOSHIN – Por: Shihan Prof. Marcelo Tadeu Fernandes Silva

Comecei a treinar Ju-jitsu com o Professor Aluísio Costa Filho no começo de 1996.  Nesta época Já era Shodan de Aikidô e na primeira aula com o faixa azul, Luciano Ribeiro, fui imobilizado com um “arm locK”… Imediatamente percebi o quanto o Budô tinha me ensinar…

A prática da Arte Marcial é um aprendizado constante, onde sempre se começa algo novo mas nunca se alcança o final… Parece uma grande contradição, mas é a realidade da vida e da sobrevivência…

No Budô estamos sempre, por mais conscientes que podemos ser, buscando a perfeição técnica, e quando se menos espera uma nova situação nos impõem a darmos as “três batidinhas”…

No Aikidô Ueshiba Sensei falava sobre o espírito de Shoshin… A mente de principiante…

Meu mestre Massanao Ueno me disse em uma ocasião, enquanto tomávamos sakê:

-” Eu sempre estou aprendendo algo novo, Marcelo san, porque se não for assim, simplesmente não têm sentido mais treinar”…

Depois do falecimento do professor Aluísio, fiquei sem treinar Ju-Jitsu por mais de oito anos.

Foi aí que tive o privilégio mais uma vez de encontrar, mais um mestre com espírito de Shoshin…

Como convidado meu, a palestrar, na Faculdade de Educação Física das FMU, Mestre Flavio Behring, me surpreendeu ao falar abertamente sobre a necessidade de aprendizado novo constante. E citou por diversas vezes o Aikidô como exemplo a partir de suas jornadas pelo mundo ao qual ministra seminários.

Fazia muito tempo que não via e ouvia alguém falar sobre Budô com tanta humanidade…

Em pouco tempo, estava eu lá treinando com seu grupo, a seu convite, e tendo a sorte de poder participar de seu “Curso de Formação de Professor de Jiu-Jitsu”.

Muito mais que técnica, a realidade do aprendizado constante foi o que mais fixou-se em minha mente… Seu modo realista de tratar o Budô… A realidade da Vida…

Na entrega do certificado, depois de um ano, uma frase me chamou a atenção:

- “Vai ter que ralar muito ainda para se tornar uma faixa-marrom”…

E, se não fosse assim, estaria eu praticando o verdadeiro Budô?

Obrigado,  Fulvio Saba por ser a ponte e o elo de ligação, ao prof. Hugo pela paciência e e dedicação quase paternal, Prof. Luizinho, pelos detalhes da arte de solo e, a todos que nas manhãs de sexta -feira, são meus irmãos de suor dor e aprendizado e que me dão mais subsídios para que desenvolva meu trabalho com muito mais dedicação e amor…

A ti Mestre Behring, que a saúde lhe traga sempre novas descobertas, e que este espírito de guerreiro incansável pela verdade do Budô, faça sempre novos aprendizes…

Obrigado. Até a semana …

Marcelo Tadeu Fernandes Silva

CHUVA, FRIO E INVERNO – Por: Shihan Prof. Marcelo Tadeu Fernandes Silva

Em Julho no dia 25, sábado, seguimos rumo ao sítio da nossa amiga e aluna Thelma, onde, gelados de uma temperatura muito baixa e uma chuva insistente, tomamos coragem e vestimos nossos “dogis”.

Uma trégua da chuva nos fez rapidamente estender a lona azul, já bem suja pelo longo tempo sem uso e em poucos minutos após a reverência Xintô, em uníssono, praticávamos o “funakogui undô” …

Aquecidos pelo exercício, iniciamos nosso treino…

Alguns minutos de “waza” e a expressão do céu se impôs, mostrando que nem mesmo a nossa boa intenção, é capaz de desfazer o destino imperativo da nossa amada natureza…

E a chuva se fez presente!!!

Sem mêdo, nossos alunos intimados a comparecer no evento, executaram sem se importar com acúmulo de água em seus dogis, refazendo o que por meses a fio, repetidamente treinaram em nossos dojôs.

Golpe a golpe e em cada queda, o suor presente se misturava com a água da chuva, e todos ali, sempre dispostos a colaborar como “UkÊ”, permaneciam imóveis e integrados a um único espírito:

O espírito da grande família TAKEMUSSU…

Aos que fizeram exame, continuem no caminho… parabéns… Marcelo Sensei.

AIKIDÔ, LIDERANÇA E AUTO-CONHECIMENTO – Por: Ivo Trindade da Veiga

O 14o. lema do aikidô sintetizado por nosso mestre Massanao Ueno Sensei, revela:

- “Conscientizar-se de que a prática do Aikidô têm por princípio o auto-conheciemnto”

Neste texto escrito por nosso aluno Ivo Trindade da Veiga, redige com grande profundidade, a partir de uma experiência concreta, o significado deste lema…

Aikidô e Liderança – Uma Experiência Pessoal sobre Fatores de Descarrilamento

No dojô frequentemente falamos de experiências positivas em nosso dia-a-dia, em confrontos no trabalho, conflitos familiares e etc., sobre como a prática do Aikidô nos ajuda a encarar e vencer nossas dificuldades.  Pois bem, aqui vai (mais) uma experiência que acho que vale a pena ser compartilhada.

Ao leitor, que não pratica Aikidô, ou outras linhas de Budô, dois avisos: (1) não se trata de pregação e (2) só quem sofre e aprende com os treinos pode ter uma noção mais exata do que se trata aqui.  Praticantes de artes marciais e Ioga, por exemplo, costumam passar por “pregadores”, em função do entusiasmo que transmitem ao discursar sobre o tema.  Asseguro que “pregação” não é objetivo deste texto. Acontece que a dificuldade, a exigência para se atingir ou chegar o mais próximo possível da perfeição, o cansaço, a noção da linha fina que separa a vida e a morte, tudo o que é vivido no calor dos treinos não pode ser transmitido em um texto.

Minha própria experiência, entretanto, não restringe às artes marciais essa possibilidade de aguçar nossos sentidos.  Creio que qualquer esporte praticado com dedicação pode também abrir essa possibilidade e mesmo outras práticas, como jardinagem ou pintura.  Acontece que a diferença, para mim, está no foco que uma arte como o Aikidô tem justamente nesse tema.  Enquanto que nos esportes em geral essa certa iluminação se dá mais rara e acidentalmente em função do indivíduo, nas artes marciais (sensu strictissimo) ela é uma conseqüência direta do que implicam os treinos.

Pois bem, vamos à experiência.

O substantivo “descarrilamento” foi retirado do minidicionário Sacconi, associado ao verbo descarrilar (ou descarrilar), que significa “fazer sair dos carris ou trilhos; sair dos trilhos; sair da linha; desviar-se do bom caminho; disparatar”.

Recentemente tive o privilégio de atender um treinamento sobre liderança onde um dos temas explorados foi “Leadership Derailers“.  Estou deixando em inglês mesmo por não ter me dado ao trabalho de pesquisar a existência do termo “descarriladores”.

Como uma das etapas que antecederam o curso de uma semana, tive que responder um questionário com 168 testes do tipo verdadeiro ou falso.  Esse questionário é o resultado de pesquisas no campo da psicologia, visando levantar aspectos da personalidade, em particular diante de situações de pressão, estresse, medo, que têm o potencial de minar nossa eficácia, de nos descarrilar.

Com base nos resultados dos testes, é elaborado um relatório que traz 11 padrões de comportamento interpessoal, associados às respostas, em função de como os testes estão organizados.  Não há respostas certas ou erradas, mas nossas escolhas quando respondemos ficam associadas aos seguintes padrões de comportamento:

  • Volátil: associado a variações fortes de humor e imprevisibilidade. Oscilação entre grande entusiasmo e total reserva.
  • Não-confiável: suspeito e dúbio diante dos outros e de situações.
  • Super cauteloso: medo excessivo de cometer erros.
  • Distanciado: evita conflito, não se comunica ou provê devolutivas. Tendência a não estar nem aí com o sentimento alheio, evita se envolver.
  • Resistente passivo: aparenta estar em linha com acordos e decisões, porém persegue sua própria agenda (sempre por “boas razões”).
  • Arrogante: atitude de desdém pelo ponto de vista dos outros.
  • Pernicioso: destrutivo, maldoso. Desafia a conduta ética ou o que é moralmente aceitável.
  • Melodramático: quer ser o centro das atenções. Gerencia por crise.
  • Excêntrico: quer ser muito diferente, não usual.
  • Perfeccionista: excesso de preciosidade, minucioso, dificuldade em delegar.
  • Agradável: o que quer agradar a todos e reluta em tomar ação independente e contrária à opinião de outros.

Como o teste foi respondido semanas antes do treinamento, eu e a maioria dos colegas naturalmente não lembrava exatamente de como tinham sido os 168 testes.  Então os instrutores explicaram como funcionava o relatório que receberíamos e explicaram sobre cada um dos padrões comportamentais acima.  Após essa explicação, foi nos solicitado que fizéssemos uma estimativa, uma auto-avaliação, sobre como achávamos que o relatório iria se apresentar.

Com base em nossas respostas, para cada um dos comportamentos, haveria uma pontuação entre 0 e 100, como mostra o quadro abaixo, indicando o nível de risco que temos de assumir o dado comportamento sob pressão. A auto-avaliação consistia em pontuarmos de acordo com nosso sentimento, para posterior comparação com o relatório.

Nenhum Risco Baixo Risco Risco Moderado Alto Risco
10 20 30 40 50 60 70 80

90

Revi as descrições de cada padrão e fiz meu auto-julgamento.  Alternei no máximo entre Nenhum Risco e Risco Moderado, e olhe lá!  Meu auto-julgamento era de Baixo Risco, no máximo, para qualquer um dos padrões ou fatores.

Os instrutores então fizeram uma enquete sobre a auto-avaliação.  A maioria dos participantes se auto pontuou em torno do Risco Moderado para alguns fatores.  Pouquíssimos pontuaram algum fator na escala de Alto Risco.  O “mané” aqui só pontuou no máximo Baixo Risco.  Nenhumzinho sequer como Moderado.  Quando vi o resultado no flipchart, só eu estava nessa situação.

Eu pensei que quando aparecesse o resultado dos testes, a coisa seria completamente diferente do que eu julgava.  Já estava me vendo passar por ridículo.  Mas não foi o que aconteceu!

Os resultados do teste bateram com minha auto-avaliação.  Lembrei na hora do 14º lema do Aikidô: “Conscientizar-se de que a prática do Aikidô tem por princípio o autoconhecimento.” ( Massanao Ueno Sensei ).  Veio em meu pensamento como uma porrada.  Fui realmente o único nessa condição no meio da turma. A maioria tinha de fato mais Riscos Moderados e Altos Riscos até para fatores que não haviam sido pontuados.

O resultado do relatório em si não tem aqui muita importância.  O fato de minha auto-avaliação estar bem próxima dos resultados de meus testes não tem nada de mais. Não significa que sou um excelente líder ou profissional: tenho sim minhas lições de casa. O que vem ao caso, porém, é que além do aspecto do auto-conhecimento, há o do auto-controle diante das situações de estresse, pressão, medo.  Nos dois casos há uma ligação estreita, cabal, com a prática do Aikidô.

Isso é evidente para quem pratica, particularmente quando lembramos do controle da respiração durante o katá ou, dramaticamente, no jiu waza, diante de vários “oponentes” atacando de todas as direções, sob fortíssima pressão, exercitando a prática de não ser morto ou abatido.

Os dois instrutores do curso destacaram que esse tipo de situação, da auto-avaliação não mostrar nenhum fator de alto risco bater com o resultado do relatório apresentado, é muito raro.  Um deles, que também não gosta de levar a pecha de “pregador”, é praticante de Ioga e mostrou-se bastante de acordo com essa minha associação.

Para quem duvida, aceite meu convite para experimentar!  O único detalhe é que a exigência de uma vida.  Alguns treinos ou mesmo apenas alguns meses, definitivamente não serão suficientes.  Venha preparado para um longo e muito agradável caminho, o “do”, de Aiki.

Glossário de Termos

Budô: termo ligado às artes marciais; traduções normalmente trazem para o português como “Caminho do Guerreiro”, ligado a viver intensamente cada respiração, de modo intenso, com coragem, senso de justiça, honra, polidez, lealdade, veracidade e benevolência.

Dojô: local onde são realizados os treinos.

Katá: forma; movimentos ou exercícios praticados visando a forma, como devem ser aplicadas as técnicas.  Só após muitos exercícios do katá é que podemos nos libertar dele, para aplicar as técnicas de modo intuitivo, automático.

Jiu waza: “estilo livre”, quando exercitamos a técnica numa situação real de combate, comumente com vários oponentes.  Para essas oportunidades o katá foi importante, porém o que conta é a eficiência e a eficácia de quem se defende, sem tempo para pensar ou relembrar o katá.

* Ivo Trindade da Veiga é 1º. Kyu de Aikidô, aluno da Associação Massanao Ueno de Takemussu Aikidô.

SHIHAN: MAIS QUE UM TÍTULO, UMA PROFUNDA REFLEXÃO

Há alguns dias atrás, entrei contato com nosso querido sensei Rodrigo Silveira, que hoje faz sua peregrinação ao país do “Sol Nascente” descobrindo a cada dia as nossas raízes de uma prática que modifica profundamente nossa conduta. O Takemussu Aikidô.

Durante a conversa, novidades de seu cotidiano, planos e impressões de uma vivência que já dura quase 7 meses…

Sua presença no Japão junto com nosso “Kaichô”, nos faz sentir mais perto dos nossos irmãos aikidoístas… e lembranças não tardam de refrescar minha memória dos tempos junto com Ueno sensei…

Através dele, meu mestre de Aikidô, pude perceber o quanto é penoso o caminho do Budô, mas quando se persevera, as transformações definitivas na vida pessoal brotam sempre na hora oportuna…

Na conversa com Rodrigo sensei, informava sobre falecimento do nosso “Kaicho” Toshinobu Suzuki, que aos 94 anos, deixava um legado extremamente peculiar e importante na história do Takemussu Aikidô. Fôra ele, um dos poucos alunos diretos que estudaram profundamente as raízes Xintoístas do Aikidô , com o fundador da arte, o Mestre Morihei Ueshiba, e Ueno Sensei, trouxera para nosso país na década de oitenta, a verdadeira forma de Budô. Uma linhagem genuína e inquebrantável.

No dia seguinte a esta conversa, recebo então, uma carta do nosso “orientador “,  Shigueyuki Suzuki, confirmando o falecimento de nosso “kaichô”, informando a minha promoção para “Godan” ( 5o. grau ) com o título de Shihan.

Surpreso e emocionado, não pude conter minhas lágrimas ao lembrar de minha última graduação dada pouco antes de Ueno sensei falecer como “último presente” concedido a minha pessoa…

Lendo então cuidadosamente a carta em japonês, recebi a comunicação que nosso “Kaicho” deixara este último gesto para mim, também como “presente”… Foi o último diploma a ser assinado por ele e seu desejo que me fosse agraciado pelos esforços na divulgação do Takemussu Aikidô aqui no Brasil.

Profundamente reflexivo, ao terminar a carta, começei a entender que o caminho do Budô é realmente surpreendente…

Há um bom tempo, sinto-me inquieto com certas reflexões, pensamentos e dificuldades sobre minha vida pessoal, e justamente neste espaço de tempo recebo uma responsabilidade destas?

Qual o significado mais profundo?

Minha gratidão é infinitamente pequena para agradecer tal gesto…

Mas percebo sem sombra de dúvida, que isto é uma provação…

Ainda traduzindo a carta, escreve Shigueyuki Sensei:

- Nosso querido “Kaichô”, sofreu uma queda em sua casa e necessitou de uma cirurgia corretiva.  Recuperava-se bem e solicitou para sua família que voltasse para casa, pois “sentia que iria voltar para a casa dos “Kamis”.

Sem compreender, mas atendido seu pedido se recuperara em sua residência com todos os cuidados necessários…

Alguns dias depois reuniu os mais íntimos e falou que parassem de alimentá-lo pois deveria partir assim como Myamoto Musashi – que escolhera a hora certa de morrer -

Para nós ocidentais, incapazes de compreender mais profundamente os aspectos do Budô, esta ação parece absurda!!!

Como  Cristo Jesus na cruz: – Está tudo consumado!!!

Para os que estão no caminho, talvez faça isso algum sentido…

Primeiramente, na minha percepção, tive certeza de qual raíz do Aikidô que pertencemos, e isso fica muito claro em minha mente, pelo fato que na história passada, Ueno sensei, optou por permanecer com seu mestre, Toshinobu Suzuki, quando houve o cisma das linhas políticas ( O Budô esta muito mais acima do que estas coisas ). Segundo, o fato da honradez de estar preparado para a morte – aqui como a verdadeira passagem – o verdadeiro desprendimento – E então meus caros amigos, lembro-me das conversas com Ueno Sensei e suas atitudes de total despojamento!!!

E aí minha casa se enche de cheiro do Jinja e minha mente vagueia, vagueia… procurando um significado…

para tudo isso…

Mais uma perda de um ente querido… Mais uma conquista… Mais um início… o Fim de um ciclo…

Talvez se treinar com mais afinco, mais disposição, mais fé e sinceridade tenha algum dia a mesma firmeza perante a minha hora…

Aqui agora, apenas consigo agradecer a Deus, ao Suzuki Sensei, ao meu mestre Massanao Ueno  e a todos vocês meu queridos alunos que me estimulam nesta jornada…

Ao nosso  Kaichô – Suzuki- carinhosamente, chamado de “Suzukão” que encontre com Deus, ô Sensei Ueshiba, Ueno sensei e aos quais amou em vida…

E sigo em frente sempre caminhando… junto com vocês…

Obrigado.

Prof. Shihan Marcelo Tadeu Fernandes Silva – Takemussu Aikidô Brasil

Associação Massanao Ueno de Takemussu Aikidô

A POESIA DE UM SAMURAI… O Shidoin de Rodrigo Silveira

Rodrigo Silveira e o Presidente da Takemussu Aikidô Kai - Suzuki Sigueyuki Sensei - recebendo o 3o. dan - 03/2010

Rodrigo Silveira e Suzuki Sigueyuki Sensei ( Presidente da Takemussu Aikidô Kai), – Japão 03/2010

Jovem, um guerreiro nato, percorre os caminhos com insegurança,

sem o seio de sua mãe, busca o caminho da luz…

Seu espírito já sabe de alguma forma, quais as trilhas a seguir, mas a dureza da dor,

o impede por algum tempo de seguir em frente…

Mas ele espera… aguarda… amadurece.

Vai forjando através da dor física e psíquica, sua postura diante da vida,

e entre erros e acertos, descobre seu destino.

E cativa a cada passo curto, os horizontes de oportunidades, encontrando o verdadeiro sentido de sua jornada.

Retorna ao seio de sua Mãe,  agora em um plano muito maior, sentindo seu espírito e sua força,

e compreende definitivamente o espírito ” O Mairi” de ir ao templo e orar à Deus.

Shidoin, orienta aos menores e mais fracos, este caminho.

E segue continuando a sua trilha.

Parabéns querido Silveira.

Marcelo Sensei.

COMUNICADO DE FALECIMENTO DE SUZUKI TOSHINOBU SENSEI

O primeiro Grande Mestre e precursor do Takemussu Aikidô, SUZUKI  TOSHINOBU, acamado desde setembro de 2009, sofreu uma queda em novembro tendo o fêmur fraturado quando se submeteu a uma cirurgia, que teve êxito.

Após a cirurgia, retornou a casa, alegando o desejo de querer morrer na própria casa. Ao retornar a sua residência, para concretizar o seu grande desejo de – ” Morrer como Samurai” – tal como Miyamoto Musashi, manteve jejum até sua morte que ocorreu às 17:49hs. do dia 30 de dezembro.

Em nome da família do falecido transmitimos os nossos sinceros agradecimentos a todos os que fizeram parte ao longo desses anos de vida.

Cumprindo os últimos desejos, o seu funeral ocorreu apenas com a presença dos familiares.

Comunicamos também que, não serão aceito flores ou outras oferendas.

15 de janeiro de 2010.

Família Suzuki

Tradução: Profa. Kazuko Ikemori Yamauchi

O ESPÍRITO DO TAKEMUSSU AIKI

Meus queridos amigos do Takemussu:

Agradecer pelo carinho que recebi de vocês todos no domingo, é muito pouco para expressar a tamanha emoção que senti e ainda estou sentindo…

Vê-los reunidos me fez lembrar de muitas passagens pertinentes a nossa história e particularmente a minha, vivida até este momento.

Neste dia pude conviver com todos que aqueles que me fazem sentir que todo o esforço, no meu caminho até então,  vale a pena acreditar e continuar caminhando.

Todos ali são de suma importância na minha jornada.

A surpresa, magnífica, atingiu a mais profunda das emoções… conectando-me a outras que fizeram de mim a pessoa que vocês gentilmente confiam.

Amigos, alunos, família… Irmãos!!!

Tudo parece estar mais claro!

Mais óbvio… mais leve!

Na vontade de estar presente no convívio diário, da rotina do lar, do trabalho, dos treinos, das festinhas, dos “birudôs”…

Falando a cada um das alegrias e dificuldades…

Na alegria de existirmos com uma grande família!

Muito Obrigado meus queridos!

Shihan Prof. Marcelo Tadeu Fernandes Silva

SOBRE O QUE É SER UM SHIHAN

O QUE É UM SHIHAN

John Stevens Sensei

Professor na Tohoku University em Sendai, Japão, John Stevens é Shihan do
TFU Aikido Club. É autor de muitos livros, incluindo o recente Shambhala
Guide to Aikido.

A definição clássica de “shihan” é “aquele que dominou os segredos de uma
arte e divide esses segredos em uma transmissão pessoa-a-pessoa, de
coração-a-coração – um hábil instrutor da mais alta integridade em quem se
pode confiar plenamente.”

O nível de shihan é largamente empregado nas artes japonesas: pode-se ser um
shihan em Caligrafia, shihan em Cerimônia do Chá, ou shihan em Shakuhachi
(flauta).

As exigências para o título de shihan variam. Em alguns casos, uma promoção
que enfatiza a graduação depende quase que exclusivamente de destreza
técnica, posição ou (alas!) política interna. Esta tendência é a a mais
desafortunada porque,no budo clássico, a técnica não pode ser dissociada do
caráter. De acordo com um antigo provérbio, “se seu coração não é
verdadeiro, suas técnicas serão falsas”.

Os alunos refletem o ensinamento e atitude de seu professor, tanto fora como
dentro do tatame. Assim, um shihan está sempre ensinando, 24 horas por dia.
Tradicionalmente, entende-se que um shihan carrega consigo uma grande
responsabilidade moral em relação aos alunos. “Shihan” é geralmente
traduzido para o inglês como “instrutor- mestre”, mas talvez uma expressão
mais adequada seja “modelo de bom exemplo”.

De Shirata Sensei, meu shihan, aprendi técnicas maravilhosas. Mas, o que é
mais importante, estudei a maneira como ele vivia.

Um dia, quando fui visitá-lo, encontrei em seu jardim. Ele estava sentado em
seiza, estudando um livro, tomando notas – realmente concentrado naquilo.
Embora tivesse 74 ou 75 anos, estava tentando melhorar a si mesmo como
professor. Seu Aikido aprimorou-se dos 75 anos aos 80. No tatame, buscou a
essência do Aikido durante sua vida inteira. Desse modo, seu exemplo
inspirou-me a persistir em meus estudos. Ele era um shihan – um modelo.

Ishida Sensei, que faleceu recentemente no Havaí aos 90 anos , passou 25
anos ensinando quatro noites por semanas por quase nada. Esse é o tipo de
inspiração que procuro. Uma atitude de professor, a maneira como ele ou ela
aborda e lida com situações, é muito mais importante que sua técnica.

Quais os pré-requisitos para ser um shihan ? Eu diria: “Caráter.”

No Japão, 6° dan é visto como o equivalente a uma licença plena de mestre.
(Para tornar-se um mestre pleno no Japão exige-se cerca de 20 anos de
estudo.) E, no Japão, 7°, 8°, ou 9° dan são níveis honorários agraciados por
longo e dedicado serviço prestado ao Aikido.

No Norte do Japão, onde fui treinado, a graduação era utilizada algo
informalmente. Quinto dan era entendido como sendo graduação de shihan.
Nunca houve dúvidas sobre quem era shihan ou não; se você era 5°dan e estava
ensinando, então era shihan. Assim desde que fui promovido a 5° dan, fui
registrado nos registros da Aikido Association of Miyagi Prefecture como
“John Stevens, Tohoku Fukushi University Shihan”.

Entendo que há algumas dificuldades com o uso do termo shihan fora do Japão.
Não estou familiarizado com essas dificuldades, e não posso comentá-las.
Como sempre digo, o sistema de graduação é arbitrário. Algumas pessoas que
merecem altas graduações não estão interessadas, e aquelas pessoas que estão
em busca de títulos tendem a treinar com professores que irão promovê-los.
Minha tendência é não pôr muita ênfase na graduação. Para mim, o mais
importante é a relação com um professor que serve como modelo. Esta pessoa
que serve como um modelo é um shihan.

Texto: Karateca. net